Eu sou a primeira a questionar; a vivenciar e a sofrer com a primeira guerra da humanidade. A chorar pela morte de um filho e pela punição de outro. Sou a peça que completa a criação, e que dá poder ao homem de se replicar a imagem e semelhança. Sou o berço. Sou a emoção, a sensação, a entrega, a percepção de todos os sentidos que Você nos deu.
Sou o desejo, a curiosidade, e todos os impulsos que meus sentidos e sentimentos permitem. Dei o verdadeiro significado ao livre-arbítrio, ao não me submeter a ordens, ao te desafiar e a arcar com todas as consequências. Vi a morte de meu marido cercada de arrependimento em toda sua longevidade. E, ainda assim, apesar dele ser seu maior reflexo, morreu como todos os outros.
Desafiei-o novamente por sentir. E, como se não bastasse a primeira mordida, realizei a segunda com todo o prazer que podia ter. Sou aquela que o desafiou pelo conhecimento de si mesma.
Eu sou a mulher. Não a escolhida pra ser a sua grande genitora, mas sim para ser a primeira em caminhar e desafiar. Eu sou a fruta, o pecado, a materialização de todos os prazeres; aqueles que nos foram dados e negados e que são meu alimento, meu sustento, minha imortalidade, meu reflexo.
Me apresento, sou Eva.